Gerente de Design, em dupla com um par de produto — o estudo conduzido pelos dois, por conta própria; o desenho do método, a amostra e a fase externa foram meus
Duração
~2–3 meses (fases interna + externa)
Resultado
aposta redirecionada antes do build · portal reduzido a menos de um quarto do escopo original · evidência virou gate do processo de priorização
01 — Meu papel
Retail media é uma das apostas centrais de receita B2B da empresa: fazer os maiores anunciantes da indústria investirem, seguirem investindo e investirem mais.
A liderança da área chegou à tecnologia com a solução já desenhada, uma plataforma on-demand onde a indústria veria:
o que estava planejado e o que estava no ar
os resultados das campanhas e os dados de sortimento
de quebra, liberaria o tempo do time comercial
Meu papel: construir isso.
O caso, na ordem em que aconteceu
02O que estava em jogo
Meses de squad, os top players, e um risco que ninguém tinha colocado na mesa.
Construir o portal significava meses de squad num produto sem nenhuma validação de adoção, mexendo na relação com os anunciantes que concentravam a maior parte do investimento da categoria. E havia um terceiro risco, invisível no brief:
03Do brief às perguntas certas
Não aceitei o brief como pedido de feature. E também não devolvi um “não” de opinião.
Transformei a solução que chegou pronta em três perguntas testáveis:
1. Precisa ser digital?
2. Haveria adoção que justificasse construir, e manter?
3. Qual é a dor real da indústria?
E desenhei o estudo em duas ondas, para respondê-las com evidência:
Onda 1 · dentro de casa
Comercial, planejamento, operações, estúdio de marca, liderança, mais benchmark com um operador global de retail media. Frente conduzida pelo meu par, sobre o desenho que fiz.
Onda 2 · a própria indústria
Comigo à frente: oito grandes anunciantes, segmentados de propósito por maturidade em mídia.
04O estudo, com craft de quem assina
Um “não” a um executivo não se sustenta em opinião. Se sustenta em evidência.
As perguntas da liderança seguiram como espinha do estudo: testadas, não substituídas. A amostra, desenhada por maturidade, blindava qualquer recorte contra acusação de viés. E cada achado ficou rastreável até a citação-fonte.
este não é um case de dirigir um time: eu e meu par conduzimos o estudo com as próprias mãos. a senioridade está no desenho do método e na negociação com stakeholders a partir de dados.
A planta do estudo que sustentou o “não”:
O que este diagrama prova: o "não" foi blindado por desenho (ondas, amostra por maturidade, rastreabilidade), não por opinião.
05O que a evidência mostrou
A dor não era acesso a dado. Era insight analisado.
Os top players não usavam nem os portais que já tinham de outros varejos: “não faz falta”; “tenho acesso e não tenho braço pra analisar”. O que eles pediam era leitura que os ajudasse a decidir, e a defender budget dentro das próprias empresas.
A venda da direção aconteceu em sessões de key messages a cada fase, formuladas como perguntas em vez de vereditos: “queremos mesmo mostrar todos os resultados a todos?”
A matriz que virou a decisão, com a aposta original na coluna quase vazia:
O que este diagrama prova: a aposta original estava na coluna quase vazia. A dor dominante, insight analisado em conversa, nem era software.
06O redirecionamento
Redirecionei a aposta antes do build.
O investimento foi para onde estava o desperdício real de horas: automação da execução e das comprovações, e dado recorrente com camada de análise humana. A visão de plataforma virou report automatizado, a menos de ¼ do escopo original.
O antes e depois da aposta:
O que este diagrama prova: o redirecionamento foi troca de produto, não corte: o build foi para onde estava o desperdício real.
Meses de squad evitados
num produto sem adoção validada, mais o custo de oportunidade repriorizado
Evidência virou gate
apostas dessa magnitude passaram a exigir discovery antes de build: um gate formal de priorização