Em um mês, desenhei do zero a estrutura dos dois produtos que sustentam o last mile: uma operação de dezenas de hubs, em várias cidades.
A migração da plataforma que rodava a operação saiu dentro do prazo do contrato, com uma squad enxuta, e a estrutura desenhada nesse mês é a que os times evoluem até hoje.
01 — Meu papel
Na época da fusão com o grupo global, a gestão de last mile rodava numa plataforma terceira: custo de licença alto e zero espaço para personalizar funcionalidades a uma operação com particularidades muito específicas, como o modelo de hubs. A empresa decidiu substituí-la por ferramenta própria.
O que precisava nascer ou mudar, em paralelo:
- Raio web, a torre de controle da operação: estado de entregas e viagens, atrasos, riders em rota e em retorno. Não existia nada.
- Raio app, o app do entregador, que já existia, mas sem o conceito que passava a ser o centro da operação: viagens com stacking (agrupamento roteirizado de múltiplas entregas), no lugar de entregas únicas. Incorporar essa mudança exigia reestruturar a navegação inteira.
02 — O que estava em jogo
Se a migração falhasse, a operação não podia ficar desassistida: a alternativa seria estender o contrato e pagar caro por isso.
O prazo era duro: o fim do contrato.
Ato I · 03 — Decisão de produto
Eu liderava design. As definições de escopo eram do meu par de produto e do CTO.
O que eu levava para essas decisões era o aprendizado do discovery: o que a operação de fato usava na plataforma, o que ignorava, o que precisava e não tinha.
Ato II · 04 — Decisão de liderança e craft
Quando o designer principal da squad saiu no meio do projeto, assumi também a execução: liderei e desenhei.
Decisão de contexto, não de hábito: com prazo duro e a squad sem seu designer principal, ser líder e contribuidora era o que o momento pedia.
Em um mês, subi a primeira base de arquitetura de informação e navegação dos dois produtos (a organização de viagens, entregas e acompanhamento), idealizada com o PM e validada com entregadores em loco, nas lojas.
05 — Resultado relativo
migração dentro do prazo do contrato, com uma squad enxuta
custo de licença da plataforma terceira eliminado
a operação absorveu a troca sem queda de produtividade
Os resultados funcionais vieram nas evoluções seguintes, construídas pelas squads sobre essa estrutura, que segue sendo a base até hoje.
Anos depois, o universo de Delivery Experience, que nasceu nessa fundação, passou a reportar a mim como liderança de produto.
06 — O que eu faria diferente
Ter olhado mais cedo para a dinâmica mobile vs. desktop no momento da operação dentro da loja. Parte das adaptações que fizemos depois, com aprendizados da operação, poderia ter entrado já na fundação.