Daki · Case 01

Um app, dois países: a migração que subiu a conversão em vez de derrubá-la.

Papel
liderança de design da migração, reporte direto ao CTO
Time
núcleo dedicado de 3 designers — product design, design system e UX writing — dentro do time de 6 sob minha gestão
Duração
~6 meses, do kickoff ao rollout completo
Resultado
+20% relativo em conversão sessão→pedido, com CX preservado — contact rate estável durante todo o rollout

01 — Meu papel

Entrei na Daki em julho de 2022, logo depois de a empresa se fundir a um grupo global. A fusão deixou dois apps quase idênticos evoluindo em paralelo: o brasileiro e o global, com escopos praticamente iguais.

Meu papel: liderar o design da migração do Brasil para a estrutura global sem perder o que sustentava o negócio local.

O contexto subiu a régua rápido.

Na segunda semana, minha liderança saiu, e assumi o time inteiro.

Seis pessoas, com especialistas de UX writing, design de serviço e design system, reportando direto ao CTO. Prazo esticado, pressão alta.

02 — O que estava em jogo

Manter as duas plataformas era duplicar produto, design e engenharia indefinidamente.

Migrar era arriscar a conversão e a base de usuários do Brasil. Os dois apps tinham modelos de navegação com muito em comum, semelhança que, inclusive, norteou a decisão de migrar. Mas as particularidades locais que sustentavam o hábito de compra o app global não cobria, a começar pela seção de categorias.

Numa operação app-first, o app é o canal de venda: degradar conversão era degradar a receita da operação inteira.

Havia ainda receita direta no meio: a mídia do app.
A estrutura global abria novos espaços de campanha, mas o modelo de banners que já gerava receita pedia adaptação à nova forma de exposição.

A decisão de migrar veio com a fusão. Meu protagonismo foi no como.

03 — Decisão de produto

Tratei a migração como problema de produto, não troca de casca: conversão virou o KPI central da transição e, com o time, mapeamos área por área o que mudava, o que permanecia e quais métricas podiam degradar.

Com as definições feitas, antes do lançamento, rodamos rodadas de apresentação com cada área de negócio, de operações a CX, marketing e mídia, com o conteúdo adaptado ao que cada uma precisava entender: os fluxos que mudavam no seu mundo, as ferramentas que passariam a usar, o que permanecia. Ninguém descobriu as mudanças na prática.

A ponte entre a liderança de produto do grupo global e a liderança de CX do Brasil ficou comigo: traduzir fluxos de negócio locais em prioridade de roadmap. Essa ponte também destravou receita: a ferramenta global de campanhas chegou com mais espaços de mídia e assets adaptados à navegação brasileira.

Priorizar também foi ceder. Numa definição conjunta, baseada no trade-off de impacto × custo visando o time to market, estreamos sem filtros e ordenação na navegação (gaps conhecidos, com caminho alternativo para o usuário) para não ceder na seção de categorias, que sustentava o modelo mental do usuário brasileiro.

O critério era um só: cortar onde havia contorno, nunca onde quebrava o hábito de compra.

Na época, meu cargo ainda era de design, mas as decisões que eu estava tomando já eram de produto.

04 — Decisão de liderança e craft

Liderei nos dois modos: gestora do time de seis e mão na massa no problema mais crítico.

Organizei o time por frentes de risco, cada especialista dona da sua, com crítica em cadência fixa comigo nos pontos de decisão: a barra ficava explícita sem eu estar dentro de cada entrega.

A equiparação visual ao brand guide e os design tokens, por exemplo, andaram com a especialista de design system, que preparou o sistema para múltiplas marcas e temas enquanto eu segurava a frente mais crítica.

O estudo comparativo entre os dois apps e a análise de heurísticas ficaram comigo, e foram eles que orientaram a reestruturação da navegação, aproximando o app novo do modelo mental do usuário brasileiro e recriando a seção de categorias que não existia.

Para validar, priorizamos os fluxos de maior risco para a conversão e rodamos um teste de percepção moderado e presencial com heavy users, no app em beta com conteúdo real, medindo esforço percebido (CES) tarefa a tarefa. O teste confirmou a nova navegação, derrubou pontos que a gente dava por resolvidos (a adição de produtos em promoção, que quase ninguém completou) e virou backlog triado em cinco frentes: pronto para desenvolver, redesign, configuração de conteúdo, monitoramento e priorizados.

E o período também desenvolveu o time: uma das product designers, com papel central na iniciativa do começo ao fim, foi promovida de plena a sênior nesse ciclo.

05 — Resultado relativo

A migração aconteceu sem ruído relevante em CX: o contact rate se manteve estável durante todo o rollout, que era exatamente o guardrail que tínhamos definido. O rollout avançou por porcentagem da base, com os guardrails como critério de avanço a cada etapa.

Conversão sessão → pedidoíndice · base 100 = baseline pré-migração · leitura por sessão, ~2 meses após o rolloutConversão sessão → pedidoíndice · base 100 = baseline pré-migração · leitura por sessão, ~2 meses após o rollout50100100baselineapp anterior120depois~2 meses após o rollout+20% relativo na conversão sessão → pedidoO QUE PUXOU O NÚMEROParte do ganho atribuída àreestruturação da navegação —a seção de categorias recriada para omodelo mental do usuário brasileiro.índice relativo (base 100); valores anonimizados — não representam dados absolutos da empresa.Conversão sessão → pedidoíndice · base 100 = baseline pré-migração · leitura por sessão, ~2 meses após o rolloutConversão sessão → pedidoíndice · base 100 = baseline pré-migração · leitura porsessão, ~2 meses após o rollout50100100baselineapp anterior120depois~2 meses após o rollout+20% relativo na conversão sessão →pedidoO QUE PUXOU O NÚMEROParte do ganho atribuída à reestruturação danavegação —a seção de categorias recriada para o modelo mentaldo usuário brasileiro.índice relativo (base 100); valores anonimizados — nãorepresentam dados absolutos da empresa.
O que este diagrama prova: o ganho é da migração como um todo e tem método: índice relativo com base 100, leitura por sessão, janela declarada de dois meses após o rollout completo.
+20%

relativo, na conversão sessão → pedido
dois meses após o rollout à base completa
medido por sessão, por decisão de método

O ganho foi da migração como um todo, não de uma tela: a estrutura nova inteira convertendo melhor do que a antiga.

No fundo do funil, a passagem de sacola para checkout quase dobrou.

E a operação ganhou capacidade nova de receita de mídia, com mais espaços de campanha adaptados ao contexto brasileiro.

06 — O que eu faria diferente

Teria puxado alinhamentos diretos e mais francos com a liderança de produto do grupo global desde o começo. Sem essas trocas, a pressão de prazo virou pressão por despriorizar funcionalidades e interações, enquanto nossa régua era não degradar a experiência que o usuário brasileiro já tinha. A gente se acertou, mas gerenciando ruído que um alinhamento de expectativas teria evitado.