Dois objetivos, uma aposta: o mapa que reduziu chamados e abriu um canal de mídia
Papel
Group Product Manager do contexto Customer — direção de ponta a ponta, sem execução
Time
PM reportando a mim + time de design
Duração
~6 meses, do discovery à entrega
Resultado
contact rate do motivo-alvo −30% · nova linha de receita de mídia recorrente
01 — Meu escopo
Como Group Product Manager do contexto Customer, eu carregava dois escopos que não conversavam entre si: melhorar a experiência de post-order, a maior fonte de contato com o suporte, e contribuir com a agenda do grupo para abrir novas frentes de receita.
Este é o case em que meu papel foi pura direção: liderei a iniciativa de ponta a ponta sem desenhar uma tela ou escrever um requisito.
A PM que reporta a mim e o time de design tocaram todo o discovery e a entrega, comigo na direção.
02 — O que estava em jogo
1/10
dos chamados do pós-compra eram “não localizei o entregador” entre as cinco maiores categorias de contato
Cada contato era custo de operação e atrito na jornada.
Do outro lado, o time de retail media precisava de inventário novo para negociar com a indústria, com menos dependência de processos externos.
Na lógica padrão de roadmap, seriam dois projetos disputando o mesmo trimestre.
O que este diagrama prova: a convergência foi decisão deliberada: duas agendas que disputariam o mesmo roadmap, resolvidas numa aposta só, com resultado dos dois lados.
Produto03 — Decisão de produto
Decidi que seria uma aposta só.
A escolha foi o mapa do entregador, uma feature sem nada de inovador, e é aí que está o ponto: a decisão não estava em inventar, estava no desenho e na priorização, com a feature nascendo customizável para a indústria.
O mapa atacava a causa dos chamados; a atenção do usuário sobre aquela superfície virava espaço de mídia negociável.
Direção04 — Decisão de liderança e craft
Minha regra foi dirigir pelas perguntas, não pelas respostas.
como funciona o processo entre a indústria e a nossa operação?
o que muda entre um player com agência própria e um sem?
Enquadrei o que o discovery precisava responder e deixei a PM e o time de design chegarem às respostas. Acompanhei por ritos de crítica e review em cadência fixa e entrei apenas nos checkpoints de decisão: priorização, trade-offs, stakeholders.
Produto
Quando a proposta chegou à mesa, já tinha donos.
O buy-in veio em 1:1s com as lideranças de marketing, de retail media e a minha, antes de qualquer fórum.
E a templatização entrou como decisão de modelo de negócio, não de UI: os templates nasceram como o pacote que o retail media usaria para negociar com a indústria, com níveis de customização que viram faixas de preço.
Direção
Um exemplo do que era meu nesses checkpoints: arbitrei começar a customização com apenas duas opções, para aprender com a operação real antes de liberar variações, em vez de estrear com o leque completo que a frente comercial queria vender.
A decisão de craft que sustentou o modelo foi a visão templatizada: um gabarito que protege os requisitos técnicos da customização, não importa quem produz o asset, e que deixa novas variações entrarem por design e branding, sem acionar engenharia.
Customização deixou de ser risco de qualidade e virou sistema operável.
O que este diagrama prova: a decisão de craft é modelo de negócio: o gabarito protege os requisitos técnicos e os níveis de customização viram faixas de preço, operadas por três times.
05 — Resultado relativo
O que este diagrama prova: o resultado é relativo e tem método: índice com base 100, sem volumes absolutos.
A mesma entrega abriu uma nova linha de receita de mídia recorrente, hoje comercializada com a indústria em faixas de preço por nível de customização, negociadas pelo retail media.
Um lançamento, dois objetivos de negócio, e um time que tomou as decisões de execução sem mim.
06 — O que eu faria diferente
Respeitar a complexidade técnica eu já tinha aprendido no ciclo em que montei a governança da área. O mapa me ensinou uma categoria nova dela: a complexidade que nasce de requisitos de terceiros. Garantir o gabarito do template para qualquer produtor de asset exigiu mais engenharia do que o plano previa. Hoje, colocaria o dimensionamento técnico do template dentro do discovery, antes de assumir compromissos com os stakeholders comerciais.